Incêndios anuais afetam o turismo na Chapada Diamantina

A ocorrência de incêndios anuais na Chapada Diamantina tem afetado o turismo, uma das principais atividades da região. Entre os meses de agosto e novembro, período do ano que é considerado de baixa estação para a atividade, os focos de fogo intensificam-se, e podem ganhar proporções incontroláveis.
No ano passado, os incêndios assustaram não só os turistas, mas a população como um todo, gerando grande mobilização das instituições governamentais Federais, Estaduais e Municipais.
“Um desastre aparente, como o fogo, geralmente é muito divulgado pela imprensa e é difícil reverter essa imagem, que é negativa para o turismo”, afirma o secretário de Cultura Turismo e Meio Ambiente de Lençóis, Roy Funch. Para o secretário, a renda de Lençóis é praticamente toda proveniente do turismo. “Nos pontos turísticos, os próprios guias fiscalizam o fogo, mas na zona rural, é mais difícil o monitoramento”, completa Funch, que é o responsável direto pelo desenvolvimento turístico de um dos principais destinos da Chapada Diamantina e do Brasil.
As causas desses incêndios são diversas e começam com a baixa umidade relativa do ar, constatada nesse período de escassez de chuvas, coincidindo com a época em que muitos agricultores e pecuaristas locais fazem o uso do fogo para o manejo do solo. A região é repleta de patrimônios naturais e áreas de proteção ambiental permanentes. Apesar de já ser considerada ultrapassada por especialistas, a “queimada” é uma prática tradicional de preparo da terra, que ainda é muito comum em todo o Estado, portanto um hábito difícil de ser extinto. “Queremos ensinar que o fogo é extremamente incompatível com a principal atividade da região, que é o turismo”, destaca o secretário de Educação de Lençóis, Arivan Rufino.
Para o tenente da Polícia Militar, Ronald Fiúza, as queimadas são uma questão de segurança pública: “se o turismo for muito afetado por essas práticas, os índices de desemprego e criminalidade aumentam”, reforça. O policial vem acompanhado pessoalmente as ações da operação Chapada Sem Fogo e constata o crescimento populacional do município de Lençóis, que acontece simultaneamente com o aumento de ocorrências policiais na região.
Em Lençóis, município que oferece a melhor estrutura e variedade para a atividade turística da região, muitos empresários do ramo estão preocupados com a imagem de perigo que se criou a partir do grande incêndio de 2008, como relembra o comerciante Jorginho Matos, “parecia que o fogo estava destruindo tudo, inclusive na zona urbana. Estimo uma queda direta de 30%, nos negócios, sem contar com quem estava interessado em vir para cá e desistiu”, lamenta Matos.

No segmento de hospedagem, o prejuízo foi significativo, como constata Florestano Tavenier, dono de Pousada, em Lençóis: “Em baixa estação, são os turistas estrangeiros que mais vêm pra cá. No ano passado, eles chegavam aos grandes centros, como Salvador e São Paulo, viam a notícia do incêndio e ligavam cancelando as reservas”, conta Tavenier, que acrescenta lembrando sobre as semanas completamente vazias e em que não teve nenhum faturamento em seu negócio: “as cinco famílias que dependem do meu negócio saíram prejudicadas”. Quem trabalha com passeios teve que adaptar a sua atividade para continuar operando. Tiveram que modificar alguns roteiros e dar outras opções àqueles clientes que não cancelaram, como afirma Vanessa Almeida: “99% de nossos clientes ligaram querendo desmarcar, mas nós conseguimos reverter isso convencendo de que o fogo não estava perto das rotas estabelecidas e que era seguro”, relata.

Entre as preocupações que permeiam toda a comunidade, está a estagnação no crescimento das atividades econômicas, constatada por empresários e trabalhadores, o que tem levado as lideranças a reavaliarem os caminhos que os municípios devem tomar para dar prosseguimento ao crescimento, sem agredir o meio ambiente. Essa é uma questão que preocupa, inclusive, as personalidades mais ilustres da região, como é o caso do cineasta e escritor Orlando Senna, filho de Lençóis que, em palestra de lançamento de seu novo livro, Os Lençóis e os Sonhos, foi bem direto em seu discurso: “A água é a maior razão da disputa internacional pelo controle da Amazônia e nós estamos cercados de nascentes, córregos, rios e poços. A história comprova que o turismo é uma locomotiva que movimenta muito dinheiro, mas temos que saber que tipo de turismo nós queremos: o turismo predador ou o turismo cultural e ambiental”, determinou. Orlando Senna.

União para prevenção, combate e Fiscalização Participativa
Para prevenir que o perigo do incêndio volte a por em risco o meio ambiente, à segurança da população e às atividades econômicas da Chapada Diamantina, foi criado, em junho deste ano o Comitê Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais no Estado da Bahia, que é coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente e conta com a participação de outras secretarias do governo estadual, juntamente com a Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cordec), a Casa Militar do Governador, o Grupamento de Bombeiros Militares, em parceria com o Governo Federal, Prefeituras Municipais e instituições relacionadas com a preservação ambiental.
O comitê tem realizado diversas ações de prevenção e fiscalização, como o fornecimento de treinamento e equipamentos para brigadistas voluntários da Chapada Diamantina; promovendo reuniões com as comunidades, lideranças e associações para a ação de conscientização e educação ambiental; fiscalizando e investigando as incidências de fogo criminoso, entre outras atividades.
Neste mês de outubro, estão atuando na região da Chapada Diamantina, oito equipes do Instituto do Meio Ambiente – IMA, distribuídas em regime de plantão, permanecendo até dezembro deste ano. Cada equipe é munida de equipamentos de proteção e combate ao fogo (EPI’s) e acompanhada pela Polícia Militar (PM) ou pela Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (COPPA).
Para informar ou denunciar qualquer atividade que agrida o meio ambiente, basta ligar gratuitamente para 08000 71 14 00. No caso de incidência de fogo na Chapada Diamantina, pode-se entrar em contato diretamente com o 11º Grupamento de Bombeiros Militares de Lençóis, através do número 193.
Fonte: Ascom/IMA
Carregando...