Onda de calor mata mais de 50 na Baixada Santista

De acordo com a Secretária Municipal de Saúde de São Vicente, o número de óbitos registrados na cidade entre domingo e terça-feira também chamou a atenção, tendo sido 30% acima da média: 24 pessoas morreram em São Vicente, 16 delas no Pronto Socorro. Embora a temperatura alta, o clima abafado, a falta de vento e os índices de umidade sejam similares em toda a Baixada Santista, as prefeituras de Guarujá e Cubatão afirmam que o número de mortes está dentro da média. Já a Prefeitura de Praia Grande não contabilizou os índices.
“Os pacientes que vieram a óbito tinham entre 60 a 97 anos, tinham hipertensão, diabetes, cardiopatias e problemas renais e provavelmente o calor acabou piorando essas doenças de base”, disse a chefe do Departamento de Regulação da Secretaria de Saúde de Santos, Maria Ligia Lyra Pereira. “O padrão de anormalidade foi até terça-feira. Segunda tivemos 220 chamados de ambulância e a média é 130 por dia”.
A hipótese de que as altas temperaturas podem ser a razão do aumento do número de mortes é reforçada pelo fisiologista Raul Santo de Oliveira, doutor em fisiologia do exercício e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Segundo ele, idosos e sedentários tem mais dificuldades de “perder o calor”, ou seja, acionar os mecanismos internos (como a sudorese) que permitem que o sangue e as células mantenham a temperatura do corpo próxima aos 37 graus.
“Quando o mecanismo termorregulador é ineficiente, aumenta muito a temperatura do corpo, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial, e prejudicando as funções do organismo”, explicou. “Na época do calor, o ser humano ganha muito calor do ambiente, do vento quente, do sol, ao entrar no carro quente que fica no sol. O corpo vai aumentado a temperatura interna e esse calor precisa ser dissipado, jogado para fora do corpo”, completa o médico.
Carregando...