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Rastreabilidade da floresta para o consumidor brasileiro

Qual é a origem das madeiras usadas na fabricação dos produtos? Essa é uma pergunta que, aos poucos, o consumidor brasileiro está aprendendo a fazer na hora de adquiri-los. Essa preocupação decorre principalmente do fato que a sociedade está cada vez mais alerta sobre os problemas ambientais e riscos decorrentes de um sistema de produção que não respeita a capacidade natural de recuperação do meio ambiente.

A preocupação com as questões ambientais nunca esteve tão presente no cotidiano do brasileiro, principalmente pela forte presença na mídia de temas como o desmatamento da floresta amazônica, aquecimento global, poluição, extinção de animais e plantas, entre outros. Aliado a isso, o cidadão está começando a compreender a sua relação com os problemas ambientais e os riscos por ela gerados à vida e à saúde do próprio ser humano.

Mudança – Na frente da TV, o espectador assiste a este tipo de informação com o sentimento de que algo precisa ser feito para mudar esta realidade. Contudo, não lhe são dadas soluções para o problema. Será que reciclar o meu lixo basta?

O mau uso dos recursos naturais é um problema sistêmico, cuja solução passa pela conscientização de toda a sociedade. Mais do que saber que o problema existe, é preciso que o cidadão incorpore em seu cotidiano o ato de pensar nas causas e efeitos das suas ações no momento de comprar um produto, de votar, de descartar o seu lixo, de abrir uma torneira, atos que embora sejam de pequena escala, de uma maneira ou outra, interferem em todo o sistema produtivo e por conseqüência, em todo o planeta.

O consumidor é um dos elementos fundamentais dessa cadeia pelo seu poder de comprar ou não produtos que degradam o meio ambiente e, dessa forma, influenciar os fabricantes.

Novos valores – Nesse contexto, vê-se o surgimento de um novo perfil de consumidores que vêem o ato de comprar como algo que vai além da simples satisfação de uma necessidade. Pensar na origem dos produtos passa a representar um dos fatores considerados no momento da compra.

Muitas empresas atentas a esse novo mercado buscam formas de diferenciar os seus produtos, por meio de certificações que visam dar ao consumidor uma série de garantias, como qualidade, origem das matérias-primas, redução de impactos ao meio ambiente etc. O grande diferencial de um produto certificado é que a garantia não é dada pela empresa que o fabricou, e sim por um certificador independente que verifica se a empresa está cumprindo com o prometido e autoriza a mesma a usar um selo de garantia nos produtos.

Uma das certificações que está ganhando destaque no mercado brasileiro é a do Forest Stewardship Council (FSC), também conhecido como Conselho de Manejo Florestal. Este tipo de certificação garante ao consumidor que produtos de origem florestal, tais como móveis, papéis, cosméticos foram feitos com matérias-primas de florestas em que foram respeitados os direitos dos trabalhadores, das comunidades que vivem da floresta e os recursos naturais foram utilizados com responsabilidade.

Atualmente já é possível encontrar no mercado uma variedade de produtos de origem florestal com essa certificação, tais como embalagens de papel, livros, móveis, papéis para impressora, madeiras para construção civil, cestas de palha, erva-mate, castanha do Brasil, entre outros.

Ao optar por produtos com certificação FSC, o consumidor está valorizando e incentivando empresas que mudaram as suas práticas de produção para garantir o uso responsável das florestas e seus trabalhadores. Pensar nas florestas na hora de comprar é um ato de respeito ao meio ambiente e ao homem. Você já pensou nisso?

Lucia Fernanda Mayer Massaroth é engenheira florestal formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com especialização em comunicação pública pela Metrocamp. Trabalha como coordenadora de Certificação do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e é autora de publicações sobre certificação de Cadeia de Custódia FSC.